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Eu chegava a sentir pena, daquela menina, indefesa e tristonha sentada em um canto qualquer, completamente escuro e solitário do quarto. Aquela mesmo, que chorava durante horas, dia e noite, e nem se quer saia para se acalmar sentir o calor do sol ou até mesmo sentir o pouco do ar frio e quase congelante do lado de fora. Mas agora, eu entendi. Anda tão frio ultimamente não é mesmo? Depois que ele se foi, o sol não clareou mais seu dia, não aqueceu mais seu corpo, sua alma, ou é engano meu? E a luz que adentra sua janela até teu peito, continua sendo arrepiante e entorpecida pela solidão. Eu realmente sinto muito. Por perderes a pessoa que lhe aquecia em noites vazias e congelantes como estas últimas. Por não sentires mais o aconchego daqueles braços em dias chuvosos e escuros. Sinto muito, por mim mesma estar assim. Sentindo o frio misturando-se com a enorme falta, em sua pele. Sentindo a dor, a imensa dor e solidão no coração. Eu sinto muito, por estar perdida nos vazios da escuridão. Mas sentir muito não o trará de volta, nada disso fara que ele volte. Ele se foi, simplesmente se foi, foi-se para nunca mais voltar. E o que restou? Apenas dor, dor que corrói que arde que queima em meu peito. Já não sei o que fazer para essa dor ir embora. Tentei de tudo, tanto do bom quanto do ruim. Fumar não adiantou, pois a dor não quis se dissipar junto com a fumaça. Afogar as mágoas em bebidas fortes e baratas só me trouxe problemas de saúde. Quis matar a dor e não percebi que ela estava me matando. Fui mudando sem perceber. Fiquei mais fria. Era ríspida com as pessoas, e admito a arrogância dominou-me. As pessoas começaram a se afastar de mim. E cada vez mais só eu fui ficando. O que estava acontecendo comigo? Eu não era assim. Não queria ser assim. Mas acabei me transformando, me modificando por causa do vazio que ele deixou dentro de mim. Tinha um buraco no meu coração que, eu sabia, jamais seria preenchido. Aquela dor latejante me demonstrava que era apenas o começo. Como conviver com aquilo? E até quando teria que suportar essas dores malditas? Ouvia sempre, de um ou outro, que o tempo curaria as feridas. Esperei. Vi o tempo passar, dias e semanas transcorrerem sem que nada mudasse. Todas as noites, aquele vazio na cama me fazia entender que não tinha mais volta. Era inútil esperar sentada na janela, ver ele entrando pelo portão que saiu da ultima vez que o vi. Criar falsas expectativas só estava piorando a situação. Apenas era bom criar ilusões, até porque a realidade era dolorosa de aceitar. Difícil era convencer a mim mesma de que tudo tinha se findado. Eu precisava ser forte para agüentar a verdade e ainda assim seguir em frente. Onde encontraria forças eu não sabia, apenas sabia que necessitava delas. Todas as vezes que as juntava a dor ia e as consumia, tirava elas de mim. Minha inutilidade foi ficando tão evidente que resolvi desistir de mim mesma. Resolvi deixar as coisas do jeito que estavam, já que lutar era inútil. “Não adianta tirar da mente o que não sai do coração”. Pois não é isso que dizem? Gabriela, Sabrina e Ana (en-fraquecidos)
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